A comunidade, que hoje comemoramos, foi criada, cuidada, conduzida e abençoada, durante 14 anos pela Irmã Eugênia Matias de Oliveira. Os que a conheceram relatam seu carinho, atenção, pulso firme, determinação, obstinação e criatividade em conduzir a Paróquia.
Por ela crescemos em tamanho, em fé e em espaço. Seu olhar materno e sua mão trabalhadora expandiram a pequena capela, o rebanho, a caridade e os ensinamentos.
Por ela e com ela nos tornamos uma comunidade em Cristo. E dela recebemos uma grata surpresa. Falecida em 07 de maio de 2006, nossa querida Irmã deixou escrita uma monografia no curso de atualização teológico-pastoral, do Instituto Teológico-Pastoral Para América Latina – ITE-PAL, do Conselho Episcopal Latinoamericano-CELAM, datada de setembro de 1994, onde conta o surgimento, crescimento, amadurecimento e expansão da Paróquia.
Não haveria caminho melhor a seguir do que usar parte do texto O NASCER DE UMA PARÓQUIA – A experiência de Morro Verde escrito pela Irmã Eugênia para contar nossa história.
Vilmar Batista Tôrres
É com imensa alegria, mas, também com muito respeito e humildade, que ouso apresentar, nesta modesta monografia, o desabrochar de uma paroquia,.situada no Lago Sul, em Brasília. É a Paróquia Nossa Senhora do Rosário, antes conhecida por Capela Nossa Senhora do Rosário do Morro Verde, assim chamada por causa dos morros que circundam as áreas e o verde, que é característica de toda Brasília.
Algumas famílias impulsionadas pelo zelo apostólico e forte ardor missionário reuniam-se, semanalmente, em um galpão, construído por elas mesmas. Diante da imagem de Nossa Senhora do Rosário rezavam o terço e, depois, discutiam os seus problemas familiares, sócio-econômicos e religiosos.
Iniciaram a catequese para os próprios filhos, preparando-os à Primeira Eucaristia
Onde encontraram tanta coragem, tanto dinamismo, para a criação de uma par quia. Certamente na pessoa de Jesus Cristo e na devoção a Maria e na força viva de um comunidade que reza unida. Em Jesus Cristo, centro de suas vidas. Cristo não é um mais entre eles, não é um personagem histórico, que passou, mas sim é Aquele que ato desde os primórdios da caminhada e permanece vivo, e bem vivo, no coração de todo
Em Maria, o despertar da realidade para a missão evangelizadora. Em Savina, o amor aos pobres, o zelo apostólico e a missionariedade.
1.1 Chamados a realizar uma missão
Quem são os chamados a realizar uma missão? Segundo o que fala João Paulo II são todos os fiéis. Os leigos, cuja vivência cristã, vem do seio de uma família. E o que diz ainda João Paulo Il a respeito das famílias? Ele nos fala da família como sendo e Mãe por excelência de toda Sociedade. Então, podemos dizer que a família é a Geradora da própria Igreja, porque sem a família a Igreja jamais poderia existir.
“A greja está a serviço do reino e é concebida como Povo de Deus, todos som do mesmo Pai, irmãos em Jesus Cristo e fortalecidos no seu caminhar peta ação do Espírito.” Assim como a Igreja está a serviço, também estão as famílias cristãs abertas e atenta, para atender e partilhar como todos os dons recebidos.
É na família que se congregam as diferentes gerações, que mutuamente se apoiam, isto é: ajudam a atingir uma sabedoria mais perfeita e a conciliar os deveres e os direitos pessoais, com as demais exigências da vida moderna. A família constitui, portanto, a base fundamental da Sociedade.
E, como é belo e importante lembrar que das famílias cristãs nascem, crescem e permanecem vivos na história de um povo os mais atraentes e sublimes ideais, que do seu desenvolvimento ideológico e cristológico se chega às mais perfeitas das realizações.
Deus que é Amor, Deus que é Pai e quis também ser irmão na pessoa de Jesus Cristo, cuida com um amor forte e ardente de cada um de seus filhos. “Deus não criou o homem para deixá-lo sozinho, desde o principio os criou homem e mulher. Jesus apresentou o seu zelo em devolver ao casal a sua completa dignidade (Mt 19,3-9), e a família a sua consistência própria (Mt 19,4-5). São Paulo apresentou a profunda intimidade do matrimônio, com o mistério cristológico e eclesiológico (Ef 5,22-34). O matrimônio é, e será sempre um sacramento indissolúvel”‘ (cfr.Lc 16,18).
Diante de tudo que descrevemos sobre a família, queremos dizer que a família é um dom de Deus, para continuar o Amor, e ser presença do Amor Trinitário e do amor
criador de Deus.
Como me alegra lembrar o pequeno grupo familiar, que todos os finais de semana, tirava um pouco de seu tempo, do seu descanso e do seu lazer e carinhosamente reuniam-se em torno da imagem de Nossa Senhora do Rosário, para rezar o terço e em seguida, dialogar e debater os seus problemas familiares, socioeconômicos, religiosos e políticos.
1.2 Chamados a construir uma Igreja Viva
Este pequeno grupo não só estava destinado a realizar uma missão, mas também vivê-la, na construção de uma Igreja viva. Eis, que crescia dia a dia a devoção a Nos Senhora do Rosário, a gosto pelas coisas de Deus, e o desejo de transmitir às outras fami lias a alegria de ser cristão. Os passos foram se alargando, gradativamente. Após a oração do terço foi introduzida à leitura do Evangelho. Das reflexões feitas da Palavra de Deus, novas luzes, foram surgindo, abriram-se novos horizontes na caminhada deste grupo.
…E, foi assim, que os projetos das Famílias Rosarenses, foram identicando-se com o Plano de Deus.
E, o Plano de Deus, encontrou espaço, para sua realização no coração desta gente, que com muita seriedade, assume o seu papel na Igreja. Depois de muitos encontros, de muitas orações e reflexões uma comissão organizada, representando as famílias dirigiu-se ao Cardeal Arcebispo de Brasília, Dom José Freire Falcão. Apresentaram-lhe os seus an-seios. Queriam uma Paróquia, que viesse atender as necessidades pastorais daquela área geográfica.
A proposta foi muito bem acolhida pelo Cardeal, que com muita simplicidade, lhes disse: o problema não é criar mais uma paróquia, o problema é dar-lhe assistência e manté-la. Faço também a vocês uma proposta, de um plano que tenho em mente desde que cheguei a Brasília. Gostaria de fazer com vocês, a mesma experiência que fiz, quando Arcebispo de Teresina. Confiar a Paróquia a uma Congregação Religiosa, e eu mesmo no inicio, darei assistência até que encontre um sacerdote para as celebrações da Eucaristia e do Sacramento da Reconciliação. Pois a Administração Pastoral E Econômica delegarei as Irmãs juntamente com vocês. Aceitam a minha proposta? Sim disseram todos e voltaram para as suas casas. E com muita alegria começaram os preparativos, para a futura Paróquia.
Teve início a construção de uma igreja e de um salão para as reuniões, ficando pronta em poucos meses.
O cardeal consultou as Irmãs dos Pobres de Santa Catarina de Sena, que depois de um período de oração e reflexão, acolheram os apelos de Deus, através da Igreja e vieram cheias de muito entusiasmo e fervor, server neste novo campo de Construção do Reino.
Um casal português se encarregou de mandar esculpir em madeira, uma imagem de Nossa Senhora do Rosário, a qual ja estava, há muito tempo, escolhida por eles, para ser a Padroeira, da futura Paróquia. Então, enviaram a Portugal, um tronco de madeira (Pau Brasil), e que nas mãos do artista português, foi transformado na linda Imagem de Nossa Senhora do Rosário.
Tudo pronto chegou o grande dia, eis que os grupos se organizam e numa alegria contagiante, unem as forças: são pobres, ricos, adultos, jovens e crianças, que unidos, num só coração, abraçam a mesma causa, a mesma fé. E juntos louvam e agradecem a Deus, o grande Dom recebido.
Dia 07 de outubro de 1987, numa Celebração Eucarística simples, porém muito significativa, o Sr. Núncio Apostólico, D. Carlo Furno, com a presença do Cardeal Arcebispo de Brasília, Dom José Falcão e os bispos auxiliares, Dom Raimundo Damasceno, atual Secretário Geral do CELAM (Conselho Episcopal Latino-Americano) e Dom Geraldo Avila, atual Arcebispo Militar e alguns sacerdotes amigos, instalou oficialmente a Paróquia Nossa Senhora do Rosário, e Co-Padroeira “Savina Petrilli”, fundadora das Irmãs dos Pobres de Santa Catarina de Sena.
Instalada oficialmente a Paróquia, o Sr. Núncio, fez a entrega da mesma, às Irmãs e ao grupo leigo. (Cf. Canon- 1, paragr. 2, DC.) Em seguida a Irmã Coordenadora fez a Leitura dos decretos de Crias e Instalação da Paróquia. Concluída a cerimônia, todos foram convidados, para tomar um chazinho que se fez tradicional, oferecido pelos Paroquianos na residência das Irmãs. E, com as bênçãos de Deus e de Nossa Senhora do Rosário, concluímos com ales as festividades do dia 7 de outubro do ano de 1987, cantando um hino de louvor e gratidão a Deus….

